Gramática pluricêntrica, português internacional e ensino de língua portuguesa: algumas reflexões teóricas e práticas
DOI:
https://doi.org/10.26334/2183-9077/rapln14ano2026a2Palavras-chave:
Língua Portuguesa, pluricentrismo, português internacional, português língua não materna (PLNM)Resumo
O pluricentrismo da língua portuguesa é reconhecido academicamente, sendo possível encontrar nos dias atuais uma ampla produção científica tanto em relação aos aspetos teóricos do português como língua pluricêntrica, quanto em suas aplicações. Contudo, a realidade da língua portuguesa no mundo é muito mais complexa do que uma visão acrítica do pluricentrismo, na qual a maioria dos investigadores assume a pluricentricidade do português como uma verdade incontestável, já que é possível perceber que uma série de problemas e questionamentos que permanecem sem solução. Desta maneira, o professor de PLNM ainda carece de subsídios teóricos (para sua reflexão) e didáticos (para sua prática) que abordem o português de ‘maneira pluricêntrica’, bem como esclareçam o que se entende sobre esta ‘maneira’ e quais são os problemas, vantagens e desvantagens desse aporte teórico para o ensino de PLNM. Assim, este trabalho tem como objetivo elaborar uma delimitação conceitual e crítica a respeito do que seria esta gramática pluricêntrica, bem como qual seria sua relação com a ideia de português internacional, que seria, grosso modo, a construção de uma norma supranacional, visando, entre tantas coisas, facilitar seu ensino como língua estrangeira e favorecer sua difusão internacional. A presente proposta tem como base reflexões e experiências anteriores do autor como professor e pesquisador de PLNM, fazendo também uso das contribuições de publicações anteriores sobre o tema. Como resultados e discussões, chega-se a um conceito de gramática pluricêntrica do português como uma obra que ainda está por vir, pois não privilegia variedade alguma do português, mas que seja capaz de englobar todo o sistema da língua portuguesa. Para a seleção de quais estruturas das variedades da língua portuguesa existentes pelo mundo, recomenda-se seguir, inicialmente, dois princípios básicos: o quantitativo e o princípio da simplicidade. Como ainda não dispomos de uma gramática pluricêntrica, enfatiza-se aqui que tais preceitos e a obra em si devem ser elaborados pelos atores envolvidos nos processos de promoção, difusão e internacionalização da língua portuguesa, ou seja, gestores, linguistas e professores. Finalmente, diante desse cenário, espera-se que as reflexões, propostas teóricas e práticas discutidas aqui possam servir como uma contribuição para qualquer profissional interessado em PLNM, da mesma maneira, dar continuidade ao debate científico sobre o presente tema e auxiliar em projetos e publicações futuros.
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