Construções com infinitivo não subordinado: uma análise semântica
DOI:
https://doi.org/10.26334/2183-9077/rapln15ano2026a8Palavras-chave:
Infinitivo em verbo matriz, orações subordinadas completivas, tempo e aspeto, discurso político institucionalResumo
O presente artigo pretende analisar o uso do infinitivo em verbos que selecionam orações subordinadas completivas, em contextos que não licenciam esse uso, a partir de atas de câmaras municipais portuguesas. Com base num subcorpus composto por 117 frase-alvo, recolhido a partir de um dataset constituído por 439 atas correspondentes a reuniões realizadas entre 2021 e 2024, foram identificadas e analisadas as ocorrências desta construção em casos de discurso direto. A análise incidiu sobre os contextos de ocorrência, as propriedades aspetuais e temporais do infinitivo no verbo subordinante e dos seus complementos frásicos e as relações temporais estabelecidas entre a situação por ele introduzida e a situação encaixada expressa na completiva. Os resultados mostram que este infinitivo ocorre com diferentes tipos de complemento e seleciona completivas com perfis aspetuais diversos. No plano temporal, observam-se padrões regulares de sobreposição, anterioridade e posterioridade entre a situação introduzida pelo infinitivo usado no verbo subordinante e a situação expressa na oração subordinada completiva. A análise aponta para que, na ausência de uma situação prévia na qual a situação subordinante possa estar ancorada, o infinitivo estabeleça uma relação preferencial de sobreposição com o momento da enunciação, que passa a funcionar como o seu ponto de perspetiva temporal (Kamp & Reyle, 1993). O estudo, desenvolvido no âmbito da Discourse Representation Theory (Kamp & Reyle, 1993), pretende contribuir para a descrição do infinitivo usado no verbo matriz de orações subordinadas completivas, em contextos de discurso direto político institucional e para a discussão do seu estatuto aspetual e temporal.
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